Os óleos essenciais são extratos de plantas muito concentrados. Uma gota pode corresponder a vários gramas de planta, e é por isso que natural não quer dizer inofensivo. Usados com as regras certas, são seguros no dia a dia. Usados puros, em excesso ou nas pessoas erradas, podem irritar a pele, provocar alergias ou, em caso de ingestão, intoxicações.

Nesta página reunimos os cuidados gerais que se aplicam a todos os óleos. Os cuidados específicos de cada óleo estão na respetiva página de produto. Para saber o que é cada óleo e para que é tradicionalmente usado, consulte o nosso guia completo de óleos essenciais.

Índice

As 10 regras essenciais

  1. Nunca aplique um óleo essencial puro na pele, exceto quando a página do produto o indicar.
  2. Faça um teste de tolerância de 24 horas antes de usar um óleo novo na pele.
  3. Respeite as quantidades indicadas. Mais gotas não dão mais efeito, só mais risco.
  4. Mantenha os óleos longe dos olhos, do interior do nariz, dos ouvidos e das mucosas.
  5. Não use óleos essenciais por via oral sem indicação de um médico, farmacêutico ou aromaterapeuta qualificado.
  6. Na gravidez, na amamentação, em bebés e em crianças pequenas siga as regras próprias descritas abaixo.
  7. Evite o sol nas 12 horas seguintes à aplicação de óleos de citrinos na pele.
  8. Guarde os frascos bem fechados, fora do alcance das crianças e longe do calor e de chamas.
  9. Escolha óleos 100% puros e naturais, com o nome botânico em latim no rótulo. Não substitua um óleo por outro com nome parecido.
  10. Se toma medicação, tem epilepsia, asma ou outra doença, fale com o seu médico antes de usar.

Como diluir os óleos essenciais

Os óleos essenciais não se misturam com água. Para aplicar na pele, diluem-se num óleo vegetal, como o óleo de amêndoa-doce, ou num creme sem perfume. Como referência, 20 gotas correspondem a cerca de 1 ml.

Utilização Diluição Gotas por 5 ml de óleo vegetal (1 colher de chá) Gotas por 30 ml
Rosto 1% 1 6
Corpo e massagem geral 2 a 3% 2 a 3 12 a 18
Zona pequena, uso pontual até 5% até 5 até 30
Crianças a partir dos 6 anos 0,5 a 1% ½ a 1 3 a 6

Os óleos mais agressivos para a pele (canela, cravinho, orégão, lemongrass, gaultéria) pedem sempre a diluição mais baixa e uso apenas em zonas pequenas.

Para o banho, misture 5 a 10 gotas primeiro num dispersante para óleos essenciais, num gel de banho ou numa mão-cheia de sal grosso. Deitado diretamente na água, o óleo fica à superfície e entra em contacto com a pele sem estar diluído.

Difusão com segurança

A difusão é a forma mais simples e mais segura de usar óleos essenciais em casa.

  • Coloque 5 a 10 gotas num difusor de óleos essenciais e difunda 15 a 30 minutos. Em divisões pequenas use menos gotas.
  • Mantenha a divisão arejada e faça pausas. Não é preciso deixar o difusor ligado a noite inteira.
  • A canela, o cravinho, o orégão e a gaultéria irritam as vias respiratórias e não devem ser difundidos.
  • Se tem asma ou alergias respiratórias, não inale a névoa diretamente e experimente primeiro poucas gotas e pouco tempo.
  • Limpe o aparelho com regularidade para não alterar o aroma. Veja como limpar um difusor de óleos essenciais.

Fora de casa, uma ou duas gotas num lenço chegam para sentir o aroma.

Gravidez e amamentação

Algumas moléculas dos óleos essenciais atravessam a placenta e passam para o leite materno. Por precaução, evite os óleos essenciais nos primeiros três meses de gravidez. Depois disso, e durante a amamentação, use-os apenas com indicação de um profissional de saúde.

A salva esclareia, a gaultéria, o cravinho, a canela e o orégão devem ser evitados durante toda a gravidez. Na amamentação, nunca aplique óleos essenciais no peito.

Bebés e crianças

A pele das crianças é mais fina e o sistema respiratório mais sensível, por isso as regras são mais apertadas.

  • Antes dos 3 anos, use apenas misturas formuladas para bebés, em difusão, como a mistura Sono ou a mistura Depurativa da Pranarom.
  • Entre os 3 e os 6 anos, prefira a difusão. A aplicação na pele deve ser feita apenas com indicação de um profissional de saúde.
  • A partir dos 6 anos, aplique sempre diluído a 0,5 a 1%.
  • Até aos 6 anos, não use perto da cara os óleos ricos em mentol e 1,8-cineol (hortelã-pimenta, eucalipto, ravintsara, alecrim). Podem provocar espasmos das vias respiratórias.
  • Guarde os frascos fora do alcance das crianças e nunca retire o conta-gotas. Poucos mililitros de óleos como o eucalipto ou a gaultéria, se ingeridos, podem causar uma intoxicação grave numa criança pequena.

Saiba mais em aromaterapia para bebé e criança.

Pele, alergias e teste de tolerância

A reação adversa mais comum aos óleos essenciais é a irritação ou alergia na pele, quase sempre por uso puro, em excesso ou de óleos oxidados.

Como fazer o teste de tolerância

  1. Dilua 1 gota do óleo numa colher de chá de óleo vegetal.
  2. Aplique um pouco na dobra do cotovelo ou na parte interior do pulso.
  3. Espere 24 horas. Se aparecer vermelhidão, comichão ou ardor, lave com água e sabão e não use esse óleo.

Outros cuidados com a pele

  • Se já teve alergia a uma planta, evite os óleos de plantas da mesma família (por exemplo, a camomila e o helicriso pertencem à mesma família da arnica e do malmequer).
  • Não aplique sobre pele ferida, queimada ou com eczema sem indicação de um profissional.
  • Os óleos oxidados (frascos antigos ou mal fechados) são muito mais alergénicos. Estudos mostram que a lavanda e o tea tree, ao oxidarem, formam compostos que sensibilizam a pele.
  • Lave as mãos depois de manusear óleos essenciais, para não os levar aos olhos.

Óleos fotossensibilizantes e exposição ao sol

Os óleos de citrinos obtidos por expressão a frio contêm furocumarinas, moléculas que reagem com a luz ultravioleta e podem causar manchas, vermelhidão ou até bolhas na pele. A bergamota é o caso mais conhecido, mas o limão e a toranja também são fotossensibilizantes, e por precaução incluímos a laranja-doce, a tangerina e a verbena odorante.

Depois de aplicar estes óleos na pele, espere pelo menos 12 horas antes de apanhar sol ou fazer solário na zona onde os aplicou. Em difusão não há este risco.

Contacto com os olhos ou ingestão acidental

Se um óleo essencial cair nos olhos

  1. Não esfregue.
  2. Lave de imediato com água corrente morna ou soro fisiológico durante 15 minutos, com as pálpebras bem abertas.
  3. Se usar lentes de contacto, retire-as.
  4. Se o ardor, a vermelhidão ou a visão turva continuarem, procure um médico ou ligue para o CIAV (800 250 250).

É a recomendação do Departamento de Saúde da Austrália Ocidental e de Robert Tisserand, autor do livro de referência sobre segurança dos óleos essenciais. Não coloque óleo vegetal dentro do olho. Nunca coloque óleos essenciais dentro do canal auditivo ou das narinas.

Em caso de ingestão acidental

Ligue de imediato para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV) 800 250 250, disponível 24 horas, ou para o 112 se a pessoa tiver tosse persistente, dificuldade em respirar, sonolência ou convulsões. Não provoque o vómito e tenha o frasco consigo para dizer exatamente que óleo foi ingerido.

Medicação, epilepsia, asma e via oral

  • Medicação. Alguns componentes dos óleos essenciais podem interferir com medicamentos. A gaultéria, rica em salicilato de metilo, é o exemplo mais conhecido em quem toma anticoagulantes. Se toma medicação regular, fale com o seu médico ou farmacêutico.
  • Epilepsia. Os óleos ricos em cânfora ou 1,8-cineol (como o alecrim, o eucalipto e a ravintsara) devem ser evitados por quem tem epilepsia ou historial de convulsões.
  • Asma e alergias respiratórias. Prefira poucas gotas em difusão e afaste-se se sentir desconforto.
  • Via oral. Alguns livros e marcas indicam o uso de uma gota numa colher de mel ou num comprimido neutro. Os óleos essenciais são muito concentrados e alguns são tóxicos quando ingeridos, por isso a via oral só deve ser usada com indicação de um profissional de saúde qualificado. Nunca junte óleos essenciais à água para beber, porque não se dissolvem e ficam concentrados à superfície.

Animais de estimação

Os gatos não têm uma enzima do fígado (UGT1A6) que outras espécies usam para eliminar várias moléculas dos óleos essenciais, o que os torna especialmente sensíveis. Cães, aves e pequenos roedores também reagem a doses muito menores do que as pessoas.

  • Não difunda óleos em divisões fechadas onde estejam gatos, aves ou pequenos animais, e deixe sempre uma porta aberta para o animal poder sair.
  • Nunca aplique óleos essenciais no pelo ou na pele dos animais sem conselho veterinário.
  • Se o animal babar, tossir, vomitar ou andar com dificuldade depois de contacto com um óleo, contacte o veterinário.

Conservação e prazo de validade

  • Guarde os frascos bem fechados, de pé, ao abrigo da luz e do calor. Os óleos essenciais são inflamáveis, por isso mantenha-os longe de chamas, velas e fogões.
  • Depois de aberto, os óleos de citrinos duram cerca de um ano. A maioria dos outros óleos dura dois a três anos, e as resinas e madeiras (incenso, patchouli, cedro) ainda mais.
  • Se o cheiro mudar, o óleo ficar espesso ou turvo, deixe de o usar na pele. Pode ainda usá-lo para perfumar um pano de limpeza.

Perguntas frequentes

Os óleos essenciais são perigosos?

Usados nas doses certas, diluídos na pele ou em difusão moderada, os óleos essenciais têm um bom perfil de segurança. Os problemas descritos em estudos de casos clínicos resultam quase sempre de aplicação pura, de quantidades excessivas, de ingestão acidental por crianças ou de reações alérgicas.

Posso aplicar um óleo essencial puro na pele?

Como regra, não. Alguns óleos suaves, como a lavanda ou o tea tree, são por vezes usados puros numa zona muito pequena e por pouco tempo, mas só quando a página do produto o indica. Os óleos agressivos para a pele, como a canela, o cravinho ou o orégão, nunca se aplicam puros.

Que óleos essenciais não devo usar na gravidez?

Nos primeiros três meses, nenhum. Durante toda a gravidez, evite a salva esclareia, a gaultéria, o cravinho, a canela e o orégão. Nos restantes casos, a partir do segundo trimestre, use apenas com indicação de um profissional de saúde.

A partir de que idade posso usar óleos essenciais numa criança?

Antes dos 3 anos, só misturas próprias para bebés e em difusão. Entre os 3 e os 6 anos, prefira a difusão. A partir dos 6 anos já pode aplicar na pele, sempre diluído a 0,5 a 1%.

Posso difundir óleos essenciais se tiver um gato?

Pode, com cuidado. Use poucas gotas, por pouco tempo, numa divisão arejada e com a porta aberta para o gato poder sair. Nunca difunda num espaço fechado onde o gato esteja.

O que faço se um óleo essencial me cair nos olhos?

Não esfregue. Lave de imediato com água corrente morna ou soro fisiológico durante 15 minutos, com as pálpebras bem abertas, e retire as lentes de contacto. Se o ardor, a vermelhidão ou a visão turva continuarem, procure um médico ou ligue para o CIAV (800 250 250).

Referências

Aviso

As informações apresentadas têm caráter informativo, baseando-se em usos tradicionais e em estudos disponíveis, e não constituem aconselhamento médico. Os óleos essenciais não são medicamentos e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Se tem um problema de saúde, está grávida, amamenta ou toma medicação, consulte um profissional de saúde antes de utilizar.

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